[CINEMA]: Bruna Surfistinha, eu assisti!

Aqui estou eu, em Recife, e nada como pegar um cinema quando você viaja, né? Seja para comparar a sala do cinema ou até mesmo conhecer um pouco do público de outra região.

Ontem tirei um tempo para assistir o polêmico filme Bruna Surfistinha, que conta a história de Raquel, uma garota de classe-média que deixa sua família e seu passado deprimente para viver de uma vida como garota de programa.
“Que merda, né? Um filme falando sobre uma garota de programa, que país lindo nós temos né?” Confesso a vocês que este foi o meu primeiro pensamento, de total preconceito. Mas como sempre, procurei me pressionar contra isso e assistir o filme.

Eu saí chocado do cinema. Dentre reações que tive, nenhuma beirou o pensamento depreciativo sobre o filme. Começa pelo roteiro, que pode parecer previsível, mas é tão cru e brutal quando a realidade da personagem. Existem muitas cenas de sexo, mas ao contrário do que se pode pensar, não é nada excitante – numa das sequências cheguei a ter ânsia de vômito, pra vocês terem noção. 
Trailer
A produção não peca, é realmente bem feito, bem filmado e bem editado. A trilha sonora é diferente, poderia ter sido clichê, mas é tão próximo a realidade da personagem que vai do brega “Te quero tanto” da Ritmo Quente a “Fake plastic Trees” do Radiohead.
Depois de todos esses quesitos técnicos, vamos com o principal: Deborah Secco.
Eu preciso destacar a atuação dela, que é realmente interessante e muito delicada. Apesar de parecer “fácil fazer cenas sensuais tendo um corpo perfeito”, como ela tem. Eu não consigo imaginar o quão difícil deve ter sido fazer certas cenas de sexo e violência que ela fez neste filme. Ela merece ser reconhecida por este papel.
Entrevista com Deborah Secco
Não posso deixar de destacar atuações como de Drica Moraes, Cassio Gabus Mendes e Fabiula Nascimento, que estão detonando. 
Bem, se eu pudesse falar algo para vocês seria “assistam, mas estejam preparados”. Bruna Surfistinha é um bom filme, mas pesado – muito pesado. E ao contrário do que se pode pensar, não dignifica a vida de sexo em abuso, mas mostra todas as conseqüências desta vida, que além de perigosa é degradante.
Se você tiver menos de 18, não entre no cinema, ok? 😉

Por Rafael Froner