Pelamordi assistiu: “Mesmo Se Nada Der Certo” (Begin Again, 2013)

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Vocês já assistiram a um filme tão delícia que gostariam que ele virasse série para acompanhar os personagens todas as semanas? Eu tenho alguns assim. Um deles é o “Apenas Uma Vez”, musical irlandês lançado em 2006/7 – e que depois virou peça premiada na Broadway. A jornada dos personagens de Marketa Iglová e Glen Hansard (que ganharam Oscar com a música ‘Falling Slowly’, tema principal do filme) é tão genuína e confunde tanto vida real e ficção que não tem como não se apaixonar.

O diretor do filme era o nem tão conhecido assim John Carney. Sete anos depois, ele faz de novo. Com “Mesmo Se Nada Der Certo”, tive a mesma sensação de “Once”. Simplesmente adorável, a produção estrelada por Keira Knightley e Mark Ruffalo é capaz de colocar um sorriso até no mais gelado dos corações.

Keira Knightley in Begin Again

“Mesmo Se Nada Der Certo” traz Knightley como Gretta, uma jovem compositora sem rumo após terminar o relacionamento com Dave (Adam Levine, em sua estreia no cinema). Quase se despedindo de Nova York – após uma estadia frustrada com o amado, agora um sucesso da música -, ela chama a atenção de um produtor musical falido (Ruffalo) ao soltar a voz em uma ‘noite para compositores’, bem comum em bares de NYC.

Encantado com a voz e as composições de Gretta, ele decide investir no talento da jovem. Juntos, os dois embarcam em uma jornada que os mostra uma Nova York diferente ao passo que gravam as músicas que vão dar forma ao álbum da compositora.

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Carney já nos ganha de cara, ao usar uma montagem não-linear para nos apresentar aos personagens principais. A construção do filme, aliás, é um dos pontos altos da produção. Em nenhum momento ficamos cansados daquela história ou das repetidas cenas musicais. Graças à montagem, conseguimos ser surpreendidos até o último minuto (btw, que escolha ótima a de colocar certas cenas nos créditos em vez de no meio da produção).

A propósito, as canções do filme são um deleite. Lindas, cabem perfeitamente na voz de Kinghtley. Já Levine, à vontade com o papel de popstar repentino, transforma as músicas delicadas de Gretta em sucessos que poderiam ter sido gravados pelo Maroon 5. Ruffalo, por sua vez, constrói com perfeição um tipo frustrado, visivelmente cansado da vida que leva e sem esperanças de mudança. Na cena em que avista a personagem de Knightley pela primeira vez, Ruffallo reúne todas esses elementos do personagem em um momento de catarse total.

O elenco ainda traz Hailee Steinfeld e Catherine Keener (que lástima essa atriz tão maravilhosa colecionar ‘pontas’!) em papéis menores, além de James Corden como o carismático Steve, melhor amigo da protagonista, e mais um jurado do The Voice, Cee-Lo Green (!!), que interpreta um popstar rico e famoso graças ao talento do personagem de Ruffalo.

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Sem precisar apelar para romantismo barato ou para uma enfadonha ‘moral da história’, Carney nos mostra uma história leve tendo como o pano de fundo o verão de Nova York. Para os personagens, foram necessárias apenas algumas semanas para que suas vidas mudassem. Já eu precisei de apenas duas horas para ficar com o coração aquecido.

Adam curtchiu a voz da Keira!

Adam curtchiu a voz da Keira!

Pra quem ficou curioso, seguem aqui algumas músicas do filme (a trilha já está disponível no Spotify!):

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